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terça-feira, 30 de abril de 2019

VIVER É BEM MELHOR QUE SONHAR!

Um mar aberto e um céu infinito
Um sonho livre e sem paradeiro
Um trilhar quase que verdadeiro
Um voar tímido e adormecido

Numa cabeça vive aprisionado
E sem qualquer tesão de escapar
Triste sina de quem vive a sonhar
Sem libertar desejo estrangulado

Sonhar é mergulhar em alto mar
Mas um mar de pura imaginação
É um nadador com medo de nadar

É um professor que não dá a lição
Sonhar é um quase chegar lá,
Já viver: É o pulsar do coração!

Leandro Góis
Itabaiana/SE, 30/04/2019 - 16:15



segunda-feira, 22 de abril de 2019

SONETO DO BEIJA FLOR













Eu vi um leve beija-flor beijando
Eu vi uma leve flor sendo beijada
Eu vi um pouso na hora exata
Eu vi o beija-flor acariciando

Eu vi um verdadeiro colibri
Eu vi o pousar sem qualquer pretensão
Eu vi de perto um bom coração
Vi mais perto o amor, isso também vi

Eu pude entender todo o sentimento
Em uma ligeira e mera introspecção
Eu olhei para dentro do meu ser

E logo depois fui entendendo:
O polinizar do meu coração
É um beijo recebido de você!

Leandro Góis
Itabaiana [SE], 22 de Abril de 2019 – 12:59

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Vejam que maravilha:

Não canso de dizer que a poesia não é arte necessariamente para instruído ou “estudado”, poesia é pra “sentidor”, é pra quem sente o mundo e a vida com intensidade.

Leonardo Bastião - Poeta analfabeto!


quinta-feira, 18 de abril de 2019


Segue poesia de um brilhante poeta e, também, da área do Direito [Juiz Federal] Marcos Mairton! 


POESIA E MAGISTRATURA
Marcos Mairton

Certa vez, fui perguntado
Sobre como eu conseguia
Dedicar-me à poesia
Sendo eu um magistrado.
Vivendo tão ocupado,
Com as questões do Direito,
Como é que dava jeito
Para escrever rimando,
E também metrificando,
Fazendo verso perfeito?

Eu, antes de responder,
Calado, pensei assim:
Quem pergunta isso pra mim
Não conhece o “métier”
De quem tem que resolver
Toda sorte de conflito.
Que de perto escuta o grito
Da nossa sociedade
Clamando por igualdade,
Pedindo pena ao delito.

Ser poeta e ser juiz
O que há de estranho nisso,
Pra quem tem o compromisso
De ouvir a parte o que diz?
Que vê o olhar feliz
De quem ganhou a questão
E tem a satisfação
De sentir que fez Justiça
Reparando a injustiça
Que atingiu o cidadão?

Eu penso que a poesia
Está em todo lugar,
E quem vive a julgar
A encontra todo dia:
Quando o parquet denuncia
Quando o réu faz sua defesa
Quando a polícia traz presa,
Gente por ela detida,
É a poesia da vida
Que me chega de surpresa!

A poesia aparece
Quando o advogado
No pedido formulado
Diz: – Doutor, ela merece,
Todo dia sobe e desce
A ladeira da “Queimada”
Carregando uma enxada
Para trabalhar na roça
Não é justo que não possa
Ser agora aposentada.

A poesia é presente
No olhar do acusado
Seja quando é culpado,
Seja quando é inocente.
Na testemunha que mente,
E na que fala a verdade.
Na imparcialidade
Que todo juiz queria.
Veja quanta poesia
Em nossa realidade.

Por isso eu acho normal
Que todo bom magistrado
Venha a ser considerado
Poeta em potencial.
Incorre em erro fatal
Quem quiser fazer sentença
Somente com o que pensa
Sem revelar o que sente.
Um juiz desse, é urgente
Que se afaste, de licença.

Tulio Liebman lecionava,
Que a sentença é assim,
Vem de “sentire”, em latim,
E, dessa forma, ensinava:
Que na sentença se grava
Não somente o pensamento,
Mas também o sentimento
Do juiz que a profere.
Que ninguém desconsidere
Esse grande ensinamento.

Se o poeta, realmente,
Não é mais que um “sentidor”.
Que chega a sentir que é dor
“A dor que deveras sente”,
Juiz não é diferente
Quando cumpre sua função.
Mesmo quando a decisão
Em versos não se transforma
Na aplicação da norma
Há uma carga de emoção.

Fique tranqüilo, portanto,
Meu colega, magistrado,
Se, agora, aí sentado,
Lhe surpreender o pranto.
Pois não será por encanto,
Magia ou maldição.
É só manifestação,
Que nesse instante sentiste,
Do poeta que existe
Dentro do seu coração.