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quarta-feira, 17 de abril de 2019

O MEU JOÃO SÁ DE ANTIGAMENTE 
Leandro Góis - 14/04/2016

Essa semana Santa, como de costume, rumei para Coronel João Sá para brindar com minha família mais um transcurso da Quinta-feira maior e Sexta-feira da Paixão - por sinal -para a minha alegria está um luxo ir pra minha terra. Tudo asfaltado.
Mas, quando estava em meu escritório, na Padaria de Zé de Sinhozinho [rsrs], vez por outra lembrava de uma infância humilde, simples, mas porém inesquecível que minha geração viveu em Coronel João Sá.
Em nosso tempo não éramos brindados com o serviço de telefonia celular, que outras cidades próximas eram. Tínhamos que nos comunicar por telefone fixo, quem podia ter; por orelhões, já no final da minha adolescência; por cartas, e, o melhor: Por recados nutridos pelo o calor de quem os trazia.
Músicas, tínhamos na “BOATE” do meu Tio Adelmo de Zé de Caçula e na de Zelito de Sinhozinho, na minha época as outras já haviam fechado. Com um simples ligar de um som havia uma festa generalizada às sextas e domingos, sábado era fraco!
Lembro-me, também, dos shows “ao-vivo” de “Zequinha-doido”, que com suas mãos sobre os ouvidos cantarolava de um lado para o outro, deixando os mais jovens com espasmos de medo e de alegria ao ver aquele senhor de cabelos loiros cantar de um lado para o outro empunhando emoção na interpretação de todas inaudíveis músicas.
Lembro-me de “Abdias” com o seu carro invisível [Ontem o ví conduzindo o seu mais novo veículo]; A finada Rosângela, segurando o seu precioso bem [Rsrs]; Tilisco e tantas outras figuras folclóricas da minha cidade.
Como posso esquecer da praça ACM, famoso jardim, que era palco de várias partidas de futebol, bola de gudes, pinhão e, as vezes, “luta-livre”. Todos participavam, até eu que de craque de futebol tava longe, era escalado.
Nossas apostas eram cunhadas no moeda corrente da criançada [Carteiras de cigarros]. Procurávamos loucamente pelo o MISTRAL e MALBORO, que equivaleria a uma nota de 100 [Cem] Reais atualmente. Essa era a nossa moeda.
Saudade das castanholas e dos famosos “morta-fomes”, frutos que jaziam de plantas fincadas no jardim que todos comiam [Rsrrssr]. Hoje infelizmente não mais existem.
Recordo-me de Emerson de Sebastião/Claudionora, que era a diversão da praça. Ao passo que crescia, Emerson tornava-se um gigante do ponto de vista corporal, mas conservando a alma e a sensibilidade de uma criança. Os mais novos inicialmente tinham medo pelo o seu largo e comprido tamanho, mas após conhecê-lo, recheavam-se de gratidão pelo convível com aquela pessoa, inesquecível, pura e afável.
Enfim, a praça hoje encontra-se vazia, os jovens perambulam por outros cantos em meios a paredões de Som e quem sabe DEUS fazendo o quê, ou mesmo dentro dos seus quartos conectados às redes sociais, que os ligam com o mundo, mas os afastam de quem está perto.
A Praça sente saudade do finado Moisés da finada Caçulinha [Guilhermina]; de Leonardo de Maria de Raimundo [Boião] rsrs; que reside em São Paulo; da Finada Djalma gritando chamando o seu filho Robson; de Juju; Nivaldo; João, Pedro; Góis; Ramon e tantos outros.
Enfim, se eu fosse listar tantos outros fatos e pessoas que deixaram marcas de saudade, seria “estória pra muito tempo”, mas noutra oportunidade fincaremos a atenção em outra passagem e em outros amigos que faltaram ser listados.
Grande Abraço!
TÚNEL DO TEMPO - BAR DE ROSEVANDA
Leandro Góis - 04/09/2017
Em passeio pelas ruas de Coronel João Sá, hoje, pude observar – além de outras coisas – a reabertura de um dos maiores points da juventude da minha época na cidade, o “Bar de Rosevanda”. Pensei em comentá-lo e “aí” vamos nós!
Avistei o Bar localizado na esquina da Rua Jeremoabo com a Praça da Veneza e batizado na cultura popular Joãosaense por “Bar de Rosevanda” ou da “Finada Rosevanda” reaberto e com fluxo normal de pessoas.
Com uma nova pintura e reformas pontuais, o estabelecimento manteve a mesma arquitetura, creio que o piso frontal foi levantado, porém o estilo “colonial” e o telhado quatro águas foi inteiramente conservado, possibilitando, assim, as lembranças fluírem com maior facilidade.
Refiro-me por “Bar de Rosevanda”, porque a finada Rosevanda de Zefinha de João Dias foi quem o construiu [Creio eu], e, a propriedade do estabelecimento ainda permanece com o seu filho Eduardo, portanto, mesmo que aponham qualquer outro nome na fachada, a cultura popular não raro ainda continuará batizando-o pelo o título deste texto (Bar de Rosevanda).
Vejam:
Não sei ao certo quando se deu a inauguração deste estabelecimento comercial que comento, porém tenho lembranças do Bar de ROSEVANDA a partir de meados da década de 90, quando era administrado por Léo de Lié [Hoje Vereador da cidade] e sua esposa MIRA.
Observava, naquela época, sempre uma clientela familiar e centrada; observava pessoas educadas e sedentas por um local que congregasse as pessoas que buscasse diversão no estilo barzinho. Minhas lembranças são raras no período que Léo administrava o Bar, ainda não saia com frequência.
Lembro-me de maneira clara do período em que Celma, mais conhecida por “Celma de Maria Morais” administrou o bar. Lembro de tudo, das reformas; dos banheiros reposicionados para o lado direito do bar; do famoso espelho; dos quitutes oferecidos, os famosos caldinhos; dobradinhas; fígado, enfim, as lembranças correm livremente.
Celma é filha de “Josa” goleiro, boêmio e artista que animou os festejados e inesquecíveis carnavais de Coronel João Sá por diversos anos, e, com a peculiar maneira animada típica dos "Moarais", porém séria e de pulso forte, manteve-se na direção do estabelecimento – creio eu - que por quase uma década.
Tinha-se naquele local o que o jovem procurava: diversão, azaração; música; “tira-gostos”, e, uma administração de pulso forte para afastar quem que - em algum momento - buscasse interferir a diversão de quem estava alí.
Observei, por diversas vezes, Celma – ela mesma - retirar vários ébrios do bar, a força. Vejam: Não era pra qualquer Senhora disputar força com homens de compleição física maior, mas ela retirava-os e detinha respeito de quase todos.
Pela longa passagem de Celma pelo empreendimento, o empreendimento ganhou a sua cara e algumas pessoas começaram a caracterizá-lo pelo o nome de Bar de Celma [Bar lá pro bar de Celma!].
Lembro de Jota; Juininho; Dênis e tantos outros que participavam da força desarmada do Bar [rsrsrrs]. Servia-nos e mantinham o ambiente organizado e com um atendimento realizado por amigos, servindo, inclusive, para nos acompanhar na conversa quando adentravamos o Bar sozinho [Ao pé do Balcão].
Enfim, podemos dizer que a diversão da cidade, em determinada época, restringia-se a Danceteria New Time [Buate de Adelmo de Zé de Caçula] e o Bar de Rosevanda, tendo os dois ambientes características extremamente distintas e horários de pico distintos.
Um, a Danceteria, era um ambiente fechado e com danças, possibilitando aos casais um momento mais reservado num escurinho imerso na pista de dança da “Buate” e só funcionava de sexta a Domingo das 21h as 1h, e, também aos Sábados das 10h as 18h e, em algum período, aos domingos, das 16h as 20h.
O outro, o “Bar de Rosevanda”, não tinha dança, mas era um lugar de maior visibilidade, típico barzinho e propício para os que queriam ouvir o seu “SOM NA MALA” dos veículo - Tinha funcionamento de quinta a domingo.
O que atrapalhava, as vezes, era o volume dos sons dos veículos que “comia o Juízo” da proprietária do estabelecimento e da vizinhança que era formada por pessoas idosas [Paulo Maroto e Minininha; Nice; Dantinha e Dona Valdina; Zé Alves e a Finada Maria Augusta].
Era uma luta. Sempre encontrávamos alguém que, apesar dos avisos da proprietária do estabelecimento, não respeitava a cultura das 22horas; o volume adequado e causava inúmeros transtornos. Mas isso era devidamente ultrapassado pela boa sensação que o Bar nos proporcionava.
Sua localização era estratégica, na verdade sentiamos como se houvesse uma cortina de concreto protegendo-nos da movimentada PRAÇA ACM que era formada pelas casas de “GUVIÃO E DE ZEFINHA DE JOÃO DIAS” e a frente - bem próximo- a delegacia de Polícia, tornando o bar um local reservado e com visibilidade diferente na Praça da Veneza.
Ainda sobre a sua localização, ficava próximo a famosa pracinha do amor, local de encontros dos jovens em início de paqueras e da vida amorosa, e, por assim, do segundo grau, que tinha a sua lateral [Muro do segundo grau] um tanto quanto de agitada [rsrsr].
Era um tempo sem Selfies; em sua maioria sem celular; facebook, mas era um tempo feliz, em que as pessoas viviam o momento. Simples, mas o momento que devia ser vivido.
As fotos que tinhamos eram as que Chiquinho retratista, Abraão ou Benedito tiravam, ou - quem sabe - as tiradas por alguém que possuia câmeras, geralmente com filmes de 36 poses, kodak, com olho de fogo e que eram reveladas em Itabaiana, e, mais recentemente, as câmeras digitais. Sem esquecer, ainda, da famosa filmadora comprada por Claudionora e manuseada por Alex de Lila.
Quando Diana inaugurou um Bar na Praça ACM (Casa Amarela), começou-se a divisão do público, tanto pela visibilidade maior da PRAÇA ACM, vinda em momento de ostentação em que as pessoas passaram a não prezar mais pela reserva, quanto pelas diversas iguarias que Diana servia e serve em seu estabelecimento [A melhor Lazanha que eu já comi].
E assim, Celma que ocupou por pouco mais de uma década o Ponto do famoso “Bar de Rosevanda”, desaluga o estabelecimento e muda-se para um ponto se sua propriedade também na Praça ACM e vizinho a Diana.
Nesse momento toda a clientela de Celma é mantida, e, o bar sem ter quem o prosseguisse ou por vontade do proprietário é fechado, e, permanecendo desta forma por mais de 05 (cinco) anos.
Agora, como disse no início, fiquei feliz por sua reabertura, mesmo sem saber quem dirigirá o empreendimento, mas feliz fiquei por uma manutenção histórica da diversão da cidade; feliz fiquei, por vivenciar naquele espaço inúmeros amigos congregando e vivendo o presente.
Centenas de casamentos iniciaram dentro daquele Bar. Primeiro namoro; Trocas de olhares; aproximações, enfim, eternos momentos que iniciaram ali e perpetuaram-se até os dias de hoje, tornando, sem sombra de dúvidas, o lugar inesquecível na mente de quem viveu aquele momento.
E é bem assim, com certeza devemos bem viver o presente, vez que só ele pode ser vivido. Porém, podemos ansiar um bom futuro e lembrar do passado, porque quem esquece de onde e de como veio nunca saberá onde chegará.
E esse passado - quando foi bom - deverá ser lembrado como troféu e guardado na mais seleta "sala" da nossa memória. Doutro modo, quando não foi tão bom, deverá - também - ser inesquecível pela lição que nos deixou... Orgulhemos do passado; orgulhemos por ser Joaosaense.
Até a próxima!



Sertão no Tempo: "Obrigo" de Elias
Cel. João Sá - 04/09/2017


Aos que são da década de 80 e 90, ao passar hoje pela praça ACM em Coronel João Sá - naturalmente - sentirá a ausência de um adereço que marcou época na cidade e sentirá também a sua falta.
O "Obrigo" de Elias, como chamávamos, era cravado no mais central ponto da cidade [Praça Dr. Vieira de Melo, hoje praça ACM], o cruzamento da Rua Monsenhor José Magalhães; Avenida Dr. Carvalho de Sá e travessa Fructuoso Carvalho, enfim, ficava no encontro de todos caminhos.
Era rota de passagem de quem ia ou vinha de Paripiranga; Sítio do Quinto; Carira; Adustina e Jeremoabo, além de todos os povoados do Municipio.
Era ponto de parada e partida de Ônibos; transeuntes que passeavam; de quem vinha ao Banco; a Prefeitura; de quem festejava, uma vez que todas as festas eram dadas na Praça Dr Vieira de Melo, hoje praça ACM, enfim, sem sombra de dúvidas foi lugar que por sua boa localização e outras questões marcou época em Coronel João Sá.
Nesse Abrigo, pude observar inúmeros acontecimentos e de inúmeras pessoas...
Minha lembrança mais forte é do saudoso Moacy Pereira, figura folclórica na cidade. Duvido que exista alguém que não lembre de Moacyr sem o sorriso nos lábios...
Certa feita, ao entrar no abrigo, creio que pra comprar alguma coisa, observava Moacyr no Orelhão que se localizava no interior do estabelecimento, único orelhão da cidade nos idos 95, mais ou menos...
Moacyr brigava e bradava com alguém do outro lado da linha, ao ponto de dizer que iria desferir um tiro contra ela. Foi quando colocou a mão na cintura, pegou um instrumento - creio que um revolver - vez que aquela época era comum andar armado na cidade - e mandou o alguém do outro lado da linha falar baixo, porque se não ele daria um tiro "agora". Seria o primeiro tiro telefônico do Brasil (Rsrsr).
Era uma figura! Passado o furor estava ele rindo e esquecendo qualquer mágoa!
Lembro de "Zé Ontonho dônãna" em companhia de seu amigo Moacyr. Zé Antônio era o compositor das cantirelas, e, Moacyr quem as mencionava com a sua voz rouca e com o jeito de anodotar típico.
Lembro, de igual modo, do finado Tiquinho, ainda quando trabalhava na Coelba tomando a sua tradicinonal Antarctica até encher e meiar. Hoje Tiquinho faleceu e só nos deixou na saudade...
Enfim, lembro de seu Elias, que criou sua familia honestamente e no trabalho com aquele pequeno empreendimento. Lembro de Fabinho, dona Zefa, Cristiano, de sua filha Eliane... Enfim... As lembranças daquele pequeno e acolhedor estabelecimento são enormes.
Porém, também lembro, que após a campanha política de 2000, quando o partido em que o seu Elias e a sua família votaram perdeu a eleição, foram instados a permitir a demolição do empreendimento, em troca de indenização...
Em mesmo local foi construído obra coberta e com inúmeros bancos que carinhosamente é chamado por nós Joaosaense de "Curralzinho".
E por ai vamos: Falando do passado, porque é nele que encontramos a explicação para o presente, ou o ausente. É no passado que entendemos o tempo da gente, o presente!
Grande abraço!
Sertão no tempo: TELEBAHIA em Cel. João Sá
Coronel João Sá - 04 de Setembro de 2017

Apesar de considerar-me, ainda, um pouco novo, tenho lembranças fortes de coisas e situações de que para a juventude de hoje só de pensar cheira a surreal e a algo inexistente!
O causo de hoje é sobre o posto da TELEBAHIA de Coronel João Sá, que ficava localizado na Travessa Fructuoso Carvalho, local onde hoje funciona o consultório de Élcio Lira.
Explicando melhor, Telebahia era a empresa que explorava o serviço de telefonia na Bahia, e, em alguns lugares, como Coronel João Sá, por um bom tempo não existiam Orelhões, sinal de telefonia móvel e o serviço de telefonia fixa era extremamente caro, daí esta empresa instalava um Posto, um ponto, para que as pessoas, sedentas de comunicação telefônica, realizassem ou recebessem as suas chamadas.
Lembro que ter uma linha telefônica fixa era ter um patrimônio caro em mãos. Quem tinha telefone fixo ostentava a situação de o ter com pompas. Era os de número 286 21...
Lembro que meu tio, Adelmo, quando foi abrir o seu primeiro comércio - em 1994 - teve que comprar uma linha telefônica de Milton da "Mangabinha" por alto valor monetário, em vista da não privatização do setor de telefonia.
Tempos difíceis!
O sinal para rede móvel era inexistente, nem se pensava em ter rede de celular. Recordo que quando em Carira chegou o sinal da Claro e depois Vivo, ficávamos em pontos estratégicos da cidade para conseguir realizar uma chamada.
Antes disso, celular era um equipamento altamente luxuoso. Lembro que os aparelhos celulares da década de 90 eram pós-pago e vinculados a Telergipe [Famoso Tijolão], e, na minha lembrança tidos por poucas pessoas na cidade, como: Alex Dentista, Adelmo de Justino, Adelmo de Zé de Caçula, Romualdo, Paulo Cesar e outros que não me recordo na ocasião.
E isso não dista muito tempo. Quando fazia faculdade 2005 e 2006, aguardava chegar na divisa Bahia e Sergipe com o celular ligado para as mensagens SMS começarem a chegar.
Mas bora ao fato central!
Existia um ponto, parecido com uma lanhouse, em que as pessoas que não possuíam telefones em suas residências e queriam realizar ou receber chamadas "iam" realizá-las ou recebê-las, detalhe: Aos ouvidos de todos!
Recordo, certa feita, estava eu "piruando" na Telebahia quando uma Senhora do Puerão, que reservo-me a não dizer o nome, telefonou para o filho que estava a trabalho em São Paulo, mandando que ele viesse logo, porque a sua mulher estava pulando, melhor dizendo, estava "saltitando" a cerca.
Todos ouviam e debatiam a informação. "Rsrsrs"
Lembro, doutra passagem, em que uma outra falava lá dentro da"cabinezinha" que alguém havia falecido, quando uma pessoa de fora chegou correndo, mesmo sem a conhecer, dizendo: - Muié, você é doida, é "pextorenta"? Quem morreu foi o irmão dele, gerando inclusive discussão dentro do recinto de quem realmente havia batido as botas. "Rsrsrsrs"
Como se observa, era um serviço de telecomunicação da comunidade e sem muita privacidade.
Recordo das telefonistas, a exemplo da minha comadre Lucicleia de Fadinha, Fabiana de João Cabeleira, Dôdora e outras pessoas que fogem a mente neste momento.
Rubinho de Nedina era o "pombo correio", levava os recados provenientes do posto TELEBAHIA, inclusive chamando as pessoas para que viessem atender as ligações dos parentes que residiam fora. Era grande a leva de Joaosaenses que rumavam ao Estado de São Paulo para "ganhar a vida".
Rubinho, ainda hoje, desfila na cidade com a sua célebre Monarque Vermelha, balbuciando a frase: - "Ondxe" que é, "ondxe" que foi... Eeeeee... - É daqui a pouquinho! [Risos]
Outra figura folclórica e proparoxítona da cidade!
Esse serviço era oferecido até pouco tempo, porque recordo, outrossim, que após Romualdo tomar posse em 2001 estava dentro de sua casa quando ele "mandou" chamar Fabiana de João Cabeleira para que esta fosse trabalhar no posto da Telebahia, aquela época já Telemar, retribuindo o voto, uma vez que, salvo engano, teria ela sido uma das poucas partidária dele em sua família.
Creio que em 2000 não muitos Orelhões haviam
na cidade. Recordo de um dentro do "Obrigo" de Elias e outro na Churrascaria de Zé de Juca. Não recordo de mais outros.
Após essa leva, creio que a partir de 2002, começaram a instalar dezenas de outros Orelhões pelas ruas da cidade, levando ao fim do célebre , mas não mais necessário, Posto da Telebahia/Telemar em Coronel João Sá.
Em 2007 chegou o sinal da vivo no município e a partir daí é "só ouro". O mais pobre camponês tem a dignidade de realizar uma chamada privada e fácil de dentro do seu lar. A distância diminuiu!
Grande abraço!
LEMBRANÇAS: CORONEL JOÃO SÁ E O QUE O TEMPO TE FEZ
Leandro Góis - 2014

Muitos quiseram definir o tempo com precisão, alguns conseguiram, outros não, mas creio que quem melhor e mais poeticamente descreveu o tempo foi Caetano Veloso em sua belíssima canção (Oração ao tempo), onde intitulava o tempo como o: COMPOSITOR DE DESTINOS, TAMBOR DE TODOS OS RITMOS.
Sobre a rapidez e a sua fluidez, a compositora Ana Vilela - em canção belíssima - mencionou que O TEMPO É TREM BALA, PARCEIRO!
Pois bem!
Observando o protagonismo do tempo, e, sobretudo, a sua rapidez, que a cada dia torna-se mais clara [o tempo é mais rápido], pelo o fato de termos mais e mais instrumentos de distração, devemos tê-lo como a nossa maior e melhor “riqueza”. Não há nada mais novo ou velho que o tempo!
A cada minuto ou segundo passado temos a certeza de que esse momento é único, que não retornará. Por mais que tentemos achar que existe, na vida não existe borracha, o que foi feito, foi feito. Não se apaga.
Façamos, então, o melhor e nada de médio, de mediocridades. Sejamos protagonistas das nossas vidas, aproveitando cada segundo passado, porque a cada segundo vivido é menos um segundo das nossas vidas.
Filosofia a parte, chegando hoje em Coronel João Sá, recordei-me de um passado não tão longe; de pessoas não tão antigas, mas que, aos mais jovens por conhecimento, e, aos mais velhos por relembrança, cabe citar.
Antes de entrar na cidade, propriamente dita, observei, quando passava pela antiga fazenda do saudoso Zé de Demócrito a ausência do seu veículo estacionado em fronte ao curral da fazenda, e, consequentemente a sua ausência e da sua inseparável esposa, Dona Nininha. Lembrei-me, também, de Carlinhos, seu neto, filho de Zé Hamilton que os conduziam quase sempre para a Fazenda. Hoje, seu Zé de Demócrito, Dona Nininha e Zé Hamilton encontram-se em outro plano [Falecidos], e, Carlinhos residindo fora do município.
Em frente aquela fazenda foram mortos alguns assaltantes de Banco que tentaram roubar os bancários que retornavam à Carira. Lembro que meu Amigo Pedro Taradinho estava no carro, e, Valtenes, hoje Presidente da Coopertalse, era o motorista do veículo.
Após esse fato, a comunidade católica sensibilizou-se e pôs de fronte a entrada daquele imóvel rural uma grande cruz [Cruzeiro], que certa feita perguntei ao padre da cidade e ele me informou que havia sido posto em lembrança ao trágico e sangrento fato ocorrido.
Mais à frente e agora já dentro da cidade, observei - ao lado direito - que seu Zé Baiano, Pai de “Dagraça”, Eraldo, “Finha” e uma extensa prole, já não mais se encontrava. Corrijo-me, além dele, a sua antiga residência, uma casa recuada com alpendre, deu lugar a Mercearia Itabaiana. Seu Zé Baiano e a sua esposa faleceram.
Logo mais, observei que a famosa oficina de Zé Carlinhos também não mais estava “alí”, dando lugar a serralheria de Luciano Carregosa. A oficina servia de laboratório para Zé Carlinhos praticar o seu amor pela mecânica de veículos.
Zé Carlinhos hoje, como se fala no sertão, mudou de ramo. Atualmente é proprietário de Loja de móveis localizada à Praça do Mercado, hoje sem mercado, em um antigo prédio que pertencia a Zé Hamilton de Juca.
Observava, e isso pouco mudou, o bar de DODO, creio que não mais administrado por ele, mais por um filho, com quase as mesmas pessoas contando anedotas e “matando o tempo” em frente a calçada. Reportando – jornalisticamente - os fatos da cidade e da circunvizinhança.
A Frente, o antigo posto que, no meu tempo era de NETO de Zé crispim, que já havia sido do seu pai; de Lié e que foi fundado por meu avô, Zé de Caçula e estava fechado há muito tempo, hoje deu lugar a um amplo Posto de combustível - que por ironia do destino – pertence a um filho do fundador, Adelmo de Zé de Caçula.
Ainda em frente ao Posto de Combustível, observo um sobrado construído aos fundos da casa de Zé de Justino, e, veio-me a lembrança daquele que foi o maior líder político do município de Coronel João Sá. Um líder que, mesmo na região que estava, não precisou do uso constante das armas para impor a sua força política.
Zé de Justino era um bon-vivant, gozava a vida e a usava, e, nesse íntere, também fazia política; exercia mandatos e apoiava políticos. Por 38 anos Justino não perdeu eleições municipais no Município. Hoje encontra-se falecido.
Vejo a casa da finada “Zifinha de Zeca Tiatonho”, que deu lugar a casa de Zé Carlos de Agripino. Dona Zifinha, era tia do meu avô Zé de Caçula, uma Senhora educada, conversadeira e fina. Lembro que ao final de sua vida implorava ao meu avô que não deixasse “Dêja”, uma senhora que a cuidava, desamparada e sem residência. Com o seu falecimento foi adiquirida uma casa para “Dêja”, mãe de GUGU de Zé de Zelito.
Vamos a frente que a história é longa!
Olho vizinho e vejo a casa de Juninho de Evani, mesmo local onde era a residência de seu Zezinho Portela: Pai de Mirinho, Mi e toda a sua prole.
Em hipótese alguma - nesse relato - pode ser esquecido o prédio onde funciona complexo empresarial/comercial do ex-Prefeito Romualdo Costa, que já funcionou um Banco - Banco Econômico. É, meu amigo, Coronel João Sá já teve 02 (dois) bancos!
Pouco tempo atrás nesse prédio funcionava a Secretaria de Saúde do Município, e, em casas em anexo, que também foram demolidas para a construção do complexo citado, era a residência de Zefinha de Zé de Cotó e o depósito do finado Edmundo de Dedé de Amâncio.
Como não poderemos esquecer de “Tilisco” de Zefinha de Zé de Cotó, cantando a sua preferida canção: “Ei tchu pra quê chorar por arguem que não te ama”, sendo apanhado á rua por a sua mãe e pelos irmãos Alex e Kaline.
Recordo do paciente e calmo seu XIXIU e da sua esposa, a comunicativa dona FRANCISCA, pais de Ubaldo, Isaias, Valter e Adenoalda. Frequentei muito a residência de XIXIU, era local onde comentávamos sobre anedotas políticas. Nossas teses eram debatidas ferrenhamente por Zezão, Hidelbrando, Ronivon Santos, o próprio Ubaldo e outros.
Lembro de Dona Daurinha e do seu filho Adilson, que nos deixou prematuramente. Lembranças do finado Balbino, que sua antiga casa deu lugar ao estúdio fotográfico de Edson Fotógrafo.
Não eu, mas toda a cidade deve recordar, também, do cartório que funcionava em um depósito de Maria de Maurício vizinho a residência destes. Lembro do Finado Amando, com o seu cavalo, entrando e saindo da cidade, e, da casa e da sua falecida mãe, Dona Maria Maroto, que era localizada no mesmo lugar onde hoje funciona a casa de Paulo Cezar e a Academia.
Lembranças também de Zefinha de Tunico, hoje falecida, e, de seu filho Gilvan, que era apaixonado por loterias. Com o passar dos tempos, e, por motivo de saúde, os passos de Gilvan foram encurtados, culminando com o seu falecimento.
Lembranças do Bar de Tonho Gilson, o pai de DUDU da finada ROSE, era o escritório de quem transitava pela praça. Tonho Gilson reside no Estado de São Paulo há muito tempo, e, o local onde era o seu bar deu lugar ao auditório Fructuoso Carvalho.
Lembranças do Banco do Brasil com Valmir Amaral trabalhando; Jorge do Banco; Pedro “taradinho”; Zé de Rosa fazendo a segurança; Carlinhos de Parrudo, exercendo função administrativa e Zefinha de Maria Bela na limpeza do estabelecimento. Enfim... Hoje o Banco do Brasil só tem funcionamento administrativo.
Lembro de muita coisa.
Na Praça ACM, creio que os mais antigos já se foram. As lembranças são fortes do Finado Augustinho e Dona Minininha; Finado Oseias e dona Zefinha; Tia Zefinha de João Dias, enfim, todos esses já partiram para outro plano. Creio que os mais idosos, ainda na praça e em suas residências, são a minha Avó Bezinha do Hotel e Dona Laide do Finado Romildo.
Em posição de esquina e em cruzamento com a Rua Monsenhor José Magalhães, poderemos observar - logo em frente – a casa de Dona Maria de Raimundo, uma guerreira, cujo a vida certamente daria um livro, ante as dificuldades de criar-se sem pai e depois criar uma família grande – praticamente – sozinha.
Tia Maria, que é irmã do meu avô Zé de Caçula, na arte de fazer quitutes e doces foi “doutora”, alimentando uma prole com filhos honestos. Enfim, todos trilharam o caminho da honestidade.
Na residência de tia Maria observávamos a maior lanchonete da cidade. Recordo-me dos “sonhos” e pastéis que ela vendia, ao tempo a lanchonete era administrada por Batistinha, que ante as oscilações deste com o uso imoderado de bebida fez o comércio fechar várias vezes. Ainda hoje ele nos anima com os seus jargões clássicos: “Aracajuuuu” e “Baraqui Obama”.
Não poderíamos esquecer de seu Zé Aleijado, que com a comercialização de “pingas” e bebidas em geral sustentava a sua família.
Lembro do finado Eraldo e a sua Mercearia, que hoje deu lugar a empreendimentos da sua Viúva e família. O Finado Eraldo faleceu prematuramente, deixando filhos jovens que foram criados por Lucinha, uma jovem senhora que ficou viúva, muito nova, e, que assumiu o encargo de criar muito criada toda a prole.
E por aí vamos, nessa viagem já chego em minha casa e vejo que meu avô, Zè de Caçula e minha vó Dona Caçula; Zé de sinhozinho e Dona Raimunda ainda permanecem fortes.
E nessa viagem das minhas lembranças, espero ter despertado, também, em cada um dos leitores algumas recordações. Sigamos em frente, vivendo o Presente, esse é o presente de DEUS: O tempo presente é tempo em que devemos viver.
Entretanto, o passado serve para que lembremos que antes de nós existiram e coexistiram outras pessoas que devem ser mantidas em nossa memória com gratidão e aprendizado.
Grande abraço!